Produtividade Profunda: Como Trabalhar Menos Horas e Produzir Mais Resultados
Marina chega ao escritório às 8h30. Abre o e-mail — 47 mensagens não lidas. Começa a responder a primeira, mas uma notificação do Slack interrompe. Responde no Slack, volta ao e-mail, mas agora há uma reunião em 15 minutos. Passa a manhã inteira assim: e-mail, Slack, reunião, e-mail, Slack, reunião. Às 18h, olha para a lista de tarefas importantes — aquelas que realmente movem sua carreira — e percebe que não tocou em nenhuma. Novamente. “Amanhã eu faço”, pensa, enquanto sente um cansaço que o fim de semana não vai resolver.
Essa cena se repete milhões de vezes por dia em escritórios brasileiros. E revela um paradoxo central do trabalho contemporâneo: nunca trabalhamos tanto — e nunca produzimos tão pouco do que realmente importa.
A produtividade profunda oferece uma saída. Não é sobre fazer mais, mas sobre focar melhor. Não é sobre trabalhar mais horas, mas sobre proteger a atenção para o trabalho que gera resultados desproporcionais. Este ensaio explora por que a fragmentação atencional sabota sua performance, como distinguir trabalho raso de trabalho profundo, e — principalmente — técnicas práticas para recuperar o controle da sua mente em ambientes saturados de estímulos.
O Que É Produtividade Profunda (E Por Que Ela Importa Agora)

O termo “Deep Work” foi popularizado por Cal Newport, professor de Georgetown, em seu livro de 2016. Em português, traduzimos como “trabalho profundo” ou “produtividade profunda”. Mas o conceito vai além de um rótulo — é uma resposta estruturada ao problema mais urgente do trabalho contemporâneo: a erosão sistemática da capacidade de concentração.
A Falácia do “Fazer Mais”
A ideia tradicional de produtividade é quantitativa: produzir mais significa fazer mais tarefas, trabalhar mais horas, responder mais e-mails. Essa lógica funcionava em ambientes industriais, onde output era mensurável em unidades físicas. No trabalho do conhecimento, ela se torna armadilha.
Por quê? Porque no trabalho intelectual, a qualidade da atenção importa mais que a quantidade de horas. Uma hora de concentração profunda em um problema estratégico gera mais valor que oito horas de respostas fragmentadas a demandas urgentes mas triviais.
O problema é que a segunda opção parece mais produtiva. Responder 50 e-mails dá sensação de realização. Participar de 6 reuniões cria impressão de importância. Estar sempre disponível no Slack demonstra comprometimento. Mas ao final do mês, quando você olha para trás e pergunta “o que eu realmente construí?”, a resposta frequentemente é: quase nada.
Por Que Atenção Se Tornou o Recurso Mais Escasso
Em 1971, o economista Herbert Simon escreveu: “Uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção.” Cinquenta anos depois, vivemos o ápice dessa previsão.
Dados que ilustram o problema:
- Profissionais são interrompidos a cada 3 minutos e 5 segundos em média (Microsoft, 2023)
- Após uma interrupção, leva 23 minutos e 15 segundos para retomar o foco original (Gloria Mark, UC Irvine)
- O profissional médio checa e-mail 74 vezes por dia (RescueTime)
- 70% do tempo de trabalho é gasto em comunicação e coordenação, não em trabalho substantivo (McKinsey)
A atenção se tornou o petróleo do século XXI — recurso escasso que todos disputam. Empresas de tecnologia gastam bilhões projetando produtos para capturar sua atenção. Notificações, feeds infinitos, gamificação — tudo desenhado para fragmentar seu foco.
No trabalho, a situação é igualmente predatória. Slack, Teams, e-mail, WhatsApp corporativo — cada ferramenta compete por fatias da sua atenção. O resultado é um profissional permanentemente distraído, sempre reagindo, nunca construindo.
Produtividade profunda é a decisão consciente de proteger sua atenção como o ativo estratégico que ela é.
O Custo Invisível da Fragmentação
Interrupções não são apenas inconvenientes. Elas têm custo cognitivo mensurável — custo que a maioria dos profissionais subestima dramaticamente.
O Que Acontece no Cérebro Quando Você Alterna Tarefas
A neurociência é clara: o cérebro humano não faz multitarefa. O que chamamos de “multitarefa” é, na verdade, alternância rápida entre tarefas únicas. E cada alternância tem custo.
Quando você muda de uma tarefa cognitiva para outra, seu cérebro precisa:
- Desativar o conjunto de regras e contexto da tarefa anterior
- Ativar o novo conjunto de regras e contexto
- Recarregar as informações relevantes na memória de trabalho
- Suprimir os resíduos mentais da tarefa anterior
Esse processo, chamado de “custo de troca” (switch cost), leva tempo e consome energia cognitiva. Pior: quando a troca é frequente, os resíduos mentais se acumulam. Você está pensando no e-mail enquanto tenta focar no relatório. Está preocupado com a reunião enquanto escreve o código.
A pesquisadora Sophie Leroy, da Universidade de Washington, chamou isso de “resíduo de atenção” (attention residue). Parte da sua mente permanece na tarefa anterior mesmo depois de você ter “mudado” para a próxima. Quanto mais você alterna, mais resíduo acumula — e menos capacidade cognitiva resta para o trabalho que importa.
Dados: Quanto a Interrupção Realmente Custa
Os números são alarmantes:
Tempo perdido: Estudo da UC Irvine (Gloria Mark) mostrou que, após uma interrupção, profissionais levam em média 23 minutos para retomar a tarefa original. Mas 44% das vezes, eles nem retomam — vão para uma tarefa diferente.
Erros aumentados: Pesquisa da Michigan State University descobriu que interrupções de apenas 2,8 segundos (o tempo de ler uma notificação) dobram a taxa de erros em tarefas cognitivas.
Estresse elevado: Estudo de 2008 (Mark, Gudith & Klocke) mediu que profissionais em ambientes de alta interrupção apresentam frequência cardíaca mais alta, mais frustração e maior sensação de pressão de tempo — mesmo quando a carga de trabalho objetiva era igual.
Produtividade reduzida: A American Psychological Association estima que a troca constante de tarefas pode consumir até 40% da capacidade produtiva de um profissional.
Faça a conta: se você trabalha 8 horas por dia e perde 40% em custos de troca, está efetivamente trabalhando 4,8 horas. Dessas, quantas são de trabalho profundo? Provavelmente menos de 2. O restante é trabalho raso, reação, manutenção.
A fragmentação cria a ilusão de movimento enquanto mina a profundidade.
CUSTO OCULTO
Cada Interrupção Custa 23 Minutos

Custo Oculto
Cada Interrupção
Custa 23 Minutos
Não é exagero. Pesquisas da UC Irvine mostram que após qualquer interrupção — um Slack, um e-mail, uma pergunta — você leva em média 23 minutos para retomar o foco original. Multiplique por 50 interrupções diárias.
Trabalho Raso vs. Trabalho Profundo

Nem todo trabalho é igual. Entender a distinção entre trabalho raso e trabalho profundo é o primeiro passo para reorganizar como você gasta sua energia mental.
Definindo os Dois Tipos de Trabalho
Trabalho Raso (Shallow Work):
Tarefas logísticas, frequentemente realizadas em estado de distração, que não criam muito valor novo e são facilmente replicáveis.
Exemplos:
- Responder e-mails
- Participar de reuniões de status
- Organizar arquivos e pastas
- Atualizar planilhas de acompanhamento
- Responder mensagens no Slack
- Tarefas administrativas diversas
Trabalho Profundo (Deep Work):
Atividades profissionais realizadas em estado de concentração sem distrações, que forçam suas capacidades cognitivas ao limite. Esses esforços criam novo valor, melhoram suas habilidades e são difíceis de replicar.
Exemplos:
- Escrever um relatório estratégico
- Desenvolver código complexo
- Analisar dados para tomar decisões
- Criar uma apresentação importante
- Resolver problemas ambíguos
- Aprender uma nova habilidade
- Pensar estrategicamente sobre o futuro
A distinção não é sobre importância. Trabalho raso é necessário — alguém precisa responder e-mails. A questão é proporção e proteção: quanto do seu tempo vai para cada tipo, e como você protege o tempo de trabalho profundo.
Por Que o Trabalho Raso Domina Seu Dia
Se trabalho profundo é tão valioso, por que a maioria dos profissionais dedica tão pouco tempo a ele?
1. O raso é mais fácil.
Trabalho profundo exige esforço cognitivo intenso. É desconfortável. Trabalho raso é reativo, mecânico, quase automático. Quando você está cansado ou desmotivado, é muito mais fácil “dar uma olhada no e-mail” do que enfrentar aquele problema complexo.
2. O raso é mais visível.
Em muitas culturas organizacionais, parecer ocupado é mais valorizado que produzir resultados. Responder e-mails rápido demonstra “comprometimento”. Estar sempre disponível no Slack mostra que você é “acessível”. Trabalho profundo, por outro lado, é invisível — você fecha a porta, desativa notificações e parece “improdutivo” para quem observa de fora.
3. O raso é mais urgente.
E-mails têm prazos implícitos (expectativa de resposta rápida). Reuniões têm horários marcados. Slack tem indicadores de “online/offline”. Trabalho profundo raramente é urgente — é importante, mas pode sempre ser feito “depois”. E “depois” nunca chega.
4. O ambiente conspira contra o profundo.
Open offices, cultura de disponibilidade permanente, reuniões excessivas, ferramentas de comunicação instantânea — o ambiente de trabalho moderno foi desenhado para colaboração e comunicação, não para concentração. Fazer trabalho profundo exige nadar contra a corrente.
Cal Newport resume: “A habilidade de realizar trabalho profundo está se tornando cada vez mais rara exatamente no momento em que está se tornando cada vez mais valiosa em nossa economia. Como consequência, os poucos que cultivam essa habilidade prosperam.”
Atenção Como Recurso Estratégico

Se a atenção é o recurso mais escasso do trabalho contemporâneo, tratá-la como tal é decisão estratégica. Isso significa projetar deliberadamente seu ambiente, sua rotina e seus hábitos para proteger a capacidade de foco.
Arquitetura de Contexto: Projetando Seu Ambiente Para Foco
Produtividade profunda não é questão de força de vontade. É questão de design.
A força de vontade é recurso finito — ela se esgota ao longo do dia. Se você depende de força de vontade para ignorar notificações, resistir ao impulso de checar e-mail e manter o foco em tarefas difíceis, vai fracassar. Não porque você é fraco, mas porque está lutando contra sistemas projetados por equipes de engenheiros para capturar sua atenção.
A solução é arquitetura de contexto: modificar seu ambiente para que o comportamento desejado (foco profundo) se torne o caminho de menor resistência.
Ambiente físico:
- Trabalhe em local diferente para tarefas profundas (biblioteca, sala de reunião vazia, café silencioso)
- Use fones de ouvido como sinal social de “não interrompa”
- Mantenha a mesa limpa durante blocos de foco — estímulos visuais competem por atenção
- Se possível, tenha um “local de trabalho profundo” separado do local de trabalho raso
Ambiente digital:
- Desative todas as notificações não essenciais no celular (deixe apenas ligações)
- Use modo “Não Perturbe” durante blocos de foco
- Instale bloqueadores de sites (Freedom, Cold Turkey) para eliminar a opção de distração
- Mantenha o celular fisicamente distante durante trabalho profundo (em outra sala, se possível)
- Use navegador separado ou perfil limpo para trabalho focado (sem abas de redes sociais)
Ambiente social:
- Comunique aos colegas seus horários de foco (e cumpra-os)
- Configure mensagem automática de “verifico e-mails às 11h e 16h”
- Estabeleça “horas de expediente” para perguntas síncronas
- Negocie com gestores sobre expectativas de tempo de resposta
Técnicas Práticas Para Proteger Blocos de Atenção
Time Blocking (Bloqueio de Tempo):
Agende blocos específicos no calendário para trabalho profundo — e trate-os como reuniões inegociáveis. Um bloco de 90-120 minutos pela manhã, quando sua energia cognitiva está no pico, é mais valioso que três horas fragmentadas à tarde.
Ritual de Entrada:
Crie uma sequência de ações que sinalize ao cérebro que é hora de focar. Pode ser: fazer chá, colocar fones de ouvido, abrir playlist específica, fechar todos os programas exceto o necessário. O ritual reduz a fricção cognitiva para entrar em estado de concentração.
Regra dos 90 Minutos:
Pesquisas sobre ritmos ultradianos sugerem que o cérebro funciona em ciclos de aproximadamente 90 minutos. Trabalhe em blocos de 90 minutos de foco intenso, seguidos de 15-20 minutos de pausa real (não pausa com celular).
Monotarefa Radical:
Durante o bloco de foco, trabalhe em UMA tarefa. Não duas, não três — uma. Se outra ideia surgir, anote em papel e volte ao foco. A tentação de “só checar rapidinho” é a porta de entrada para a fragmentação.
Shutdown Ritual:
Ao final do dia, faça um ritual de encerramento: revise o que foi feito, liste as prioridades de amanhã, feche todos os loops mentais possíveis. Isso permite que seu cérebro “desligue” do trabalho e se recupere — fundamental para sustentar produtividade profunda ao longo do tempo.
O Mito da Multitarefa Eficiente
“Eu sou bom em multitarefa” é uma das afirmações mais comuns — e mais falsas — sobre produtividade. A multitarefa não é habilidade a ser cultivada; é adaptação disfuncional a ambientes mal estruturados.
O Que a Neurociência Diz Sobre Multitasking
O cérebro humano tem capacidade limitada de processamento consciente. O córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento executivo, só consegue manter uma tarefa cognitiva complexa por vez. Quando você acha que está fazendo multitarefa, está na verdade alternando rapidamente entre tarefas — com todos os custos de troca que já discutimos.
Existem exceções aparentes:
- Você consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo
- Consegue dirigir e ouvir música
- Consegue dobrar roupa e assistir TV
Isso acontece porque uma das tarefas é automática, processada por sistemas cerebrais que não exigem atenção executiva. Mas quando ambas as tarefas exigem processamento cognitivo consciente — como responder e-mail enquanto participa de uma reunião — você não está fazendo duas coisas; está fazendo duas coisas mal.
Pesquisa de Eyal Ophir em Stanford (2009) descobriu que pessoas que se consideram “boas em multitarefa” são, na verdade, piores em todas as métricas cognitivas testadas:
- Piores em filtrar informação irrelevante
- Piores em gerenciar memória de trabalho
- Piores em alternar entre tarefas (ironicamente)
O estudo sugere que multitarefa frequente treina o cérebro para distração, não para eficiência.
Por Que Sequência Vence Simultaneidade
A matemática é simples.
Cenário A (Simultaneidade):
Você trabalha em duas tarefas ao mesmo tempo por 4 horas. Custo de troca: 40% de perda. Resultado: equivalente a 2,4 horas de trabalho em cada tarefa. Qualidade: comprometida pelo resíduo de atenção.
Cenário B (Sequência):
Você trabalha 2 horas na tarefa 1, depois 2 horas na tarefa 2. Custo de troca: mínimo (uma transição). Resultado: quase 2 horas plenas de trabalho em cada tarefa. Qualidade: alta, com foco sustentado.
Mesmas 4 horas. Resultados dramaticamente diferentes.
A produtividade profunda exige sequência, não simultaneidade. Uma tarefa de cada vez, com atenção plena, até conclusão ou até o fim do bloco de tempo.
“Mas meu trabalho exige que eu esteja disponível!”
Essa é a objeção mais comum. E frequentemente, é exagerada. Pergunte-se: quantas vezes por semana você recebe uma demanda genuinamente urgente que não pode esperar 90 minutos? Na maioria dos trabalhos, a resposta é: quase nunca. A sensação de urgência permanente é fabricada pela cultura de disponibilidade instantânea, não pela realidade das demandas.
ILUSÃO PERIGOSA
Multitarefa Não É Habilidade — É Sintoma
Ilusão Perigosa
MULTITAREFA
É SINTOMA, NÃO HABILIDADE
Pessoas que se consideram “boas em multitarefa” são, segundo pesquisa de Stanford, piores em todas as métricas cognitivas: filtrar informação, gerenciar memória, até alternar tarefas. Multitarefa treina seu cérebro para distração.

Profundidade Como Vantagem Competitiva

Em um mercado saturado de respostas rápidas, superficiais e medianas, a capacidade de pensar profundamente se torna diferencial competitivo raro. Quem consegue sustentar foco produz trabalho qualitativamente superior — e colhe benefícios desproporcionais.
Como o Foco Profundo Diferencia Profissionais
Cal Newport argumenta que duas habilidades serão cada vez mais valiosas na economia contemporânea:
- A capacidade de dominar rapidamente coisas difíceis
- A capacidade de produzir em nível de elite, em termos de qualidade e velocidade
Ambas dependem de trabalho profundo.
Aprender coisas difíceis (uma nova linguagem de programação, um framework de análise, um domínio de conhecimento) exige foco sustentado. Você não aprende machine learning em fragmentos de 5 minutos entre reuniões. Exige horas de concentração deliberada, enfrentando dificuldade, construindo conexões neurais através de prática focada.
Produzir em nível de elite segue a mesma lógica. Um relatório estratégico excepcional não emerge de uma hora fragmentada — emerge de três horas de pensamento concentrado, onde você consegue manter múltiplas variáveis na mente simultaneamente e ver padrões que a análise superficial não revela.
O paradoxo do trabalho do conhecimento:
Quanto mais sênior você fica, mais reuniões, e-mails e demandas de coordenação acumulam. Exatamente quando sua capacidade de trabalho profundo poderia gerar mais valor, você tem menos tempo para exercê-la. Os profissionais que resistem a essa tendência — protegendo ferozmente seu tempo de foco — se destacam.
Proteção Contra Esgotamento
Produtividade profunda não é apenas sobre resultados — é sobre sustentabilidade.
O burnout raramente vem de trabalho intenso. Vem de trabalho fragmentado intenso: a combinação de alta demanda cognitiva com baixa sensação de progresso e controle. Você trabalha 10 horas, mas ao final do dia não consegue apontar nada significativo que produziu. Essa dissonância entre esforço e resultado corrói a motivação e esgota.
Trabalho profundo inverte a equação. Quando você dedica 4 horas de foco real a um projeto importante, sente progresso tangível. A tarefa avança. Você constrói algo. Essa sensação de realização é energizante, não esgotante.
Pesquisas sobre “flow” (Mihaly Csikszentmihalyi) mostram que estados de concentração profunda estão associados a maior bem-estar subjetivo. Pessoas que experimentam flow regularmente relatam maior satisfação com a vida e com o trabalho. Profundidade não é sacrifício — é, paradoxalmente, mais prazerosa que a alternativa fragmentada.
A fórmula:
- Trabalho fragmentado + muitas horas = exaustão + pouco resultado = burnout
- Trabalho profundo + menos horas = realização + mais resultado = sustentabilidade
Proteger sua capacidade de foco profundo é proteger sua carreira e sua saúde mental simultaneamente.
SUSTENTABILIDADE REAL
Burnout Vem da Fragmentação, Não da Intensidade

Sustentabilidade Real
BURNOUT
VEM DA FRAGMENTAÇÃO
O esgotamento raramente nasce de trabalho duro. Nasce de trabalho fragmentado: alta demanda cognitiva com baixa sensação de progresso. Você trabalha 10 horas e não consegue apontar nada significativo. Profundidade inverte essa equação.
📊 Box Comparativo: Trabalho Raso vs. Trabalho Profundo
| Critério | Trabalho Raso | Trabalho Profundo |
|---|---|---|
| Definição | Tarefas logísticas, comunicação, manutenção | Tarefas cognitivas complexas, criação, decisão |
| Exemplos | E-mails, Slack, reuniões de status, organização | Escrita, análise, estratégia, programação, design |
| Atenção necessária | Parcial, fragmentável | Total, sustentada |
| Substituível por IA? | Cada vez mais | Dificilmente |
| Gera diferenciação? | Não | Sim |
| Sensação | Ocupado | Realizado |
| Tempo típico dedicado | 70-90% do dia | 10-30% do dia |
| Tempo ideal | 30-40% do dia | 60-70% do dia |
| Valor por hora | Baixo | Alto |
| Energia consumida | Drena sem resultado | Exige, mas recompensa |
✅ Box Protocolo: 7 Dias Para Produtividade Profunda
DIA 1-2: Diagnóstico
- [ ] Rastreie como você gasta cada hora por 2 dias
- [ ] Calcule: quanto tempo foi trabalho profundo vs. raso?
- [ ] Liste as 3 tarefas que mais geram valor no seu trabalho
DIA 3: Arquitetura de Ambiente
- [ ] Desative notificações não essenciais no celular
- [ ] Configure “Não Perturbe” para blocos de foco
- [ ] Instale bloqueador de sites distradores
- [ ] Prepare seu espaço físico para concentração
DIA 4-5: Primeiros Blocos
- [ ] Agende 1 bloco de 90 minutos pela manhã
- [ ] Defina UMA tarefa para esse bloco (não lista)
- [ ] Avise colegas que estará indisponível nesse período
- [ ] Execute com celular em outra sala
DIA 6: Ajuste Comunicação
- [ ] Defina horários específicos para e-mail (ex: 11h e 16h)
- [ ] Configure resposta automática explicando seu sistema
- [ ] Agrupe mensagens para responder em lotes
DIA 7: Avaliação e Iteração
- [ ] Compare: quanto trabalho profundo você fez vs. semana anterior?
- [ ] Identifique: o que funcionou? O que sabotou?
- [ ] Planeje: aumente para 2 blocos de 90 min na próxima semana
💡 Box Você Sabia?
- Profissionais são interrompidos a cada 3 minutos e 5 segundos em média (Microsoft, 2023)
- Após uma interrupção, leva 23 minutos para retomar o foco original (UC Irvine)
- O profissional médio checa e-mail 74 vezes por dia (RescueTime)
- Interrupções de apenas 2,8 segundos dobram a taxa de erros em tarefas cognitivas (Michigan State)
- 70% do tempo de trabalho é gasto em comunicação, não em trabalho substantivo (McKinsey)
- Pessoas que se consideram “boas em multitarefa” são piores em todas as métricas cognitivas (Stanford)
- Pesquisadores de elite raramente trabalham mais de 4-5 horas de foco intenso por dia
🧠 Box Conceito-Chave: Termos Essenciais
| Termo | Definição |
|---|---|
| Deep Work | Atividade profissional em concentração sem distrações que força capacidades cognitivas ao limite |
| Shallow Work | Tarefas logísticas que não exigem concentração e são facilmente replicáveis |
| Switch Cost | Custo cognitivo de alternar entre tarefas diferentes |
| Attention Residue | Parte da mente que permanece na tarefa anterior mesmo após “mudar” de foco |
| Time Blocking | Técnica de agendar blocos específicos no calendário para tipos de trabalho |
| Flow | Estado de concentração tão profunda que se perde a noção do tempo |
| Monotarefa | Foco em uma única tarefa por vez, em oposição à multitarefa |
| Arquitetura de Contexto | Modificar ambiente para que o comportamento desejado seja o caminho de menor resistência |
Perguntas Frequentes
Produtividade Profunda: Como Trabalhar Menos Horas e Produzir Mais Resultados
📚 Leitura Recomendada
Trabalho Focado: Como ter Sucesso em um Mundo Distraído
Autor: Cal Newport (Autor)
O trabalho focado é a capacidade de se concentrar sem distração em uma tarefa cognitivamente exigente. É uma habilidade que lhe permite dominar rapidamente informações complicadas e produzir melhores resultados em menos tempo. O trabalho focado irá torná-lo melhor no que você faz e fornecer a sensação de realização verdadeira, como acontece no artesanato, por exemplo. Em suma, é como um super poder na economia cada vez mais competitiva do século XXI. E, ainda assim, a maioria das pessoas perdeu a habilidade de se aprofundar em algo ― gastando seus dias em um borrão frenético de e-mails e redes sociais, sem perceber que existe uma maneira melhor. Em Trabalho Focado, o autor e professor Cal Newport discorre sobre o impacto da era digital. Em vez de argumentar que a distração é ruim, ele celebra o poder do seu oposto. Dividindo este livro em duas partes, ele primeiro argumenta que em quase todas as profissões, cultivar uma profunda ética de trabalho produz benefícios enormes. E então apresenta um rigoroso regime de treinamento, composto de uma série de quatro “regras”, que leva sua mente e hábitos a apoiar essa habilidade. Uma combinação de críticas culturais e conselhos, Trabalho Focado leva o leitor a uma jornada através de histórias memoráveis ― de Carl Jung construindo uma torre de pedra na floresta para concentrar sua mente, até um pioneiro em mídia social comprando um bilhete de ida e volta para escrever um livro sem se distrair ― e de afirmações pragmáticas e nada frívolas, como a de que os profissionais mais conscienciosos devem abandonar as mídias sociais e que você deveria se acostumar ao tédio.
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Attention Span: A Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity―A Must-Read Guide to Dealing with Distractions and Regaining Focus in the Modern World
Autor: Gloria Mark (Author)
We spend an average of just 47 seconds on any screen before shifting our attention. It takes 25 minutes to bring our attention back to a task after an interruption. And we interrupt ourselves more than we're interrupted by others. In Attention Span, psychologist Gloria Mark reveals these and more surprising results from her decades of research into how technology affects our attention. She shows how much of what we think we know is wrong, including insights such as: Why multitasking hurts rather than helps productivity How social media and modern entertainment amplify our short attention spans What drains our mental resources and how to refuel them The four types of attention that we experience every day and how to recognize them While the concept of “flow” has previously been considered the ideal state of focus, Dr. Mark offers a new framework to help explain how our brains function in the digital world: kinetic attention. This book reveals how we can take control, not only to find more success in our careers, but also to find health and wellness in our everyday lives
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Make Time: How to Focus on What Matters Every Day
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Nobody ever looked at an empty calendar and said, 'The best way to spend this time is by cramming it full of meetings!' or got to work in the morning and thought, Today I'll spend hours on Facebook! Yet that's exactly what we do. Why? In a world where information refreshes endlessly and the workday feels like a race to react to other people's priorities faster, frazzled and distracted has become our default position. But what if the exhaustion of constant busyness wasn't mandatory? What if you could step off the hamster wheel and start taking control of your time and attention? That's what this book is about. As creators of Google Ventures' renowned 'design sprint,' Jake and John have helped hundreds of teams solve important problems by changing how they work. Building on the success of these sprints and their experience designing ubiquitous tech products from Gmail to YouTube, they spent years experimenting with their own habits and routines, looking for ways to help people optimize their energy, focus, and time. Now they've packaged the most effective tactics into a four-step daily framework that anyone can use to systematically design their days. Make Time is not a one-size-fits-all formula. Instead, it offers a customizable menu of bite-size tips and strategies that can be tailored to individual habits and lifestyles. Make Time isn't about productivity, or checking off more to-dos. Nor does it propose unrealistic solutions like throwing out your smartphone or swearing off social media. Making time isn't about radically overhauling your lifestyle; it's about making small shifts in your environment to liberate yourself from constant busyness and distraction. A must-read for anyone who has ever thought, If only there were more hours in the day…, Make Time will help you stop passively reacting to the demands of the modern world and start intentionally making time for the things that matter.
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A World Without Email: Reimagining Work in an Age of Communication Overload (English Edition)
Autor: Cal Newport (Autor)
Modern knowledge workers communicate constantly. Their days are defined by a relentless barrage of incoming messages and back-and-forth digital conversations--a state of constant, anxious chatter in which nobody can disconnect, and so nobody has the cognitive bandwidth to perform substantive work. There was a time when tools like email felt cutting edge, but a thorough review of current evidence reveals that the 'hyperactive hive mind' workflow they helped create has become a productivity disaster, reducing profitability and perhaps even slowing overall economic growth. Equally worrisome, it makes us miserable. Humans are simply not wired for constant digital communication. We have become so used to an inbox-driven workday that it's hard to imagine alternatives. But they do exist. Drawing on years of investigative reporting, author and computer science professor Cal Newport makes the case that our current approach to work is broken, then lays out a series of principles and concrete instructions for fixing it. In A World without Email, he argues for a workplace in which clear processes--not haphazard messaging--define how tasks are identified, assigned and reviewed. Each person works on fewer things (but does them better), and aggressive investment in support reduces the ever-increasing burden of administrative tasks. Above all else, important communication is streamlined, and inboxes and chat channels are no longer central to how work unfolds. The knowledge sector's evolution beyond the hyperactive hive mind is inevitable. The question is not whether a world without email is coming (it is), but whether you'll be ahead of this trend. If you're a CEO seeking a competitive edge, an entrepreneur convinced your productivity could be higher, or an employee exhausted by your inbox, A World Without Email will convince you that the time has come for bold changes, and will walk you through exactly how to make them happen.
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Flow (Edição revista e atualizada): A psicologia do alto desempenho e da felicidade
Autor: Mihaly Csikszentmihalyi (Autor), Cássio de Arantes Leite (Tradutor), Alceu Chiesorin Nunes (Arte de Capa)
Durante mais de vinte anos, o renomado psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi pesquisou sobre o estado de concentração total e satisfação profunda. Seus estudos revelaram que o que torna uma experiência genuinamente agradável é o que ele chama de “flow” ― um momento de completa concentração, em que estamos tão absortos em uma atividade que conseguimos alcançar um estado ideal de felicidade. Neste livro revolucionário, ele explica como esse mecanismo funciona no comportamento humano e o que podemos fazer para aprimorá-lo. Flow é um clássico sobre felicidade e uma das grandes contribuições à psicologia contemporânea.
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Nota Editorial
Este ensaio integra o projeto Ars Multiverse. Os autores utilizam nomes editoriais e representam vozes ensaísticas do projeto.
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